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O GLOBO

Rio, 28 de setembro de 2003

CRÔNICA DE UMA CRISE ANUNCIADA NO FASHION MALL

Vendas insatisfatórias e problemas com a administração fazem com que lojistas desistam do sofisticado shopping

Que os shoppings do Rio estão em crise não é novidade, mas o Fashion Mall, o mais chique de todos, virou assunto recorrente nas rodas cariocas por estar perdendo lojistas e clientes. Nos últimos quatro meses, diversas lojas fecharam suas portas, entre elas Alice Tapajós, Catimini, Company, Jacadi e Kenzo, além dos restaurantes Enoteca Fashion e Le Petit Lieu. Isso sem falar que há pelo menos cinco empresários abertamente tentando passar o ponto. Shirley Sobotka, dona da Sobotka Cristais, e Raul Aguinaga, da Wine Store, estão nesse time.
— Estou vendendo o ponto desde janeiro. O movimento caiu substancialmente e o shopping perdeu a sofisticação. Estou mudando do varejo para o atacado — explica Aguinaga, há cinco anos no Fashion Mall.
Os corredores estão vazios, principalmente durante a semana, mas Márcio Cardoso, diretor administrativo da In-Mont Shoppings — uma das empresas do atual consórcio que administra o Fashion Mall — nega a crise e diz que o fechamento das lojas faz parte de um movimento normal de rodízio. Segundo ele, só há um imóvel desocupado, no terceiro andar, apesar de diversos outros estarem com as portas fechadas e as vitrines cobertas de papel. O empresário acrescenta que as vendas aumentaram 11% no último semestre.
— Novas lojas já vão abrir, como a Primo Mambini, a Suca Bambino Mio, a Replay e o Tower Grill. O Fashion Mall é o maior shopping do Brasil — diz Cardoso.

Obras de expansão teriam aumentado os conflitos
Um lojista que prefere não se identificar conta que a crise começou quando o Fashion Mall mudou de comando, em setembro de 2001. E diz mais: que as obras de expansão do terceiro andar levaram grifes estrangeiras de primeira linha a se instalarem ali, culminando na derrocada do resto do shopping, que teria passado a privilegiar apenas as marcas mais sofisticadas. Uma delas, a Kenzo, porém, já cerrou as portas.
— Os banheiros estão sujos, os cinemas são péssimos e a manutenção do shopping deixa muito a desejar. Falta parceria entre o shopping e os lojistas — diz uma empresária de moda.

‘HÁ UM ANO MEU PONTO VALIA R$ 600 MIL. HOJE...’

Lojistas do Fashion Mall soltam o verbo em defesa própria

O empresário Amaury Veras, da grife Frankie & Amaury, é um dos principais integrantes do coro dos lojistas que estão descontentes no Fashion Mall. Há 12 anos instalado ali, ele diz que os comerciantes não têm diálogo com a nova administração, que não ouve reivindicações e não realiza parcerias.
— Minhas reuniões no BarraShopping, onde também tenho loja, duram no mínimo três horas e aqui elas nem acontecem. Eu deveria ser menos tolerante, mas tenho esperança de que seja apenas uma fase. A insatisfação é geral — diz ele.
Segundo outra empresária antiga do shopping, Elisa Conde, o movimento vem caindo vertiginosamente desde a inauguração do terceiro piso:
— Os clientes entram por lá e nem vão ao resto do shopping. Não entendo como a administração desprestigia quem investe ali há mais de sete anos, como eu. Há um ano meu ponto valia R$ 600 mil. Hoje... Hoje não passa de R$ 400 mil.
Regina Lundgren vai fechar a Fendi e o Espaço Lundgren
Augusto Lima, dono da joalheria Augusto Jóias, a mais antiga do shopping, recebeu recentemente uma oferta de R$ 250 mil por sua loja, quando esperava duas vezes mais.
— Aguardo uma boa oferta. Não compensa mais pagar um aluguel de R$11 mil, com as taxas, e vender tão pouco — desabafa.
De malas prontas, Regina Lundgren, dona da Fendi e do Espaço Lundgren, vai fechar as duas lojas assim que inaugurar, ainda este ano, o espaço que está construindo em Ipanema.
— Os lojistas estão preocupados com a falta de movimento e os consumidores merecem um serviço melhor — resume.
O empresário Marcelo Santa Cecília, que foi gerente comercial do Fashion Mall durante oito anos, enxerga uma mudança de perfil no shopping. Ele cita como exemplo a loja Alice Tapajós, substituída pela Shop 126, bem mais popular. Enquanto isso, os comerciantes do sofisticado terceiro andar não têm do que reclamar. André Brett, representante da Empório Armani e da Ermenegildo Zegna, por exemplo, jura que não sairia do Fashion Mall por nada:
— Estou extremamente satisfeito. (A.C.B.)

Nota: matéria transcrita na Newsletter da ALOSERJ 09/2003.


O GLOBO

Rio, 29 de setembro de 2003

CARTAS, Rio

Saúde do shopping

A Associação de Lojistas do São Conrado Fashion Mall (ALSCFM), única representante dos interesses coletivos dos lojistas que compõem este shopping, lamenta a reportagem de domingo “Crônica de uma crise anunciada no Fashion Mall”, tendo em vista não serem as notícias ali publicadas a realidade e muito menos a expressão do sentimento dos lojistas que esta associação representa. Não é verdade que o São Conrado Fashion Mall esteja passando por qualquer tipo de crise. No primeiro semestre de 2003 o shopping registrou um crescimento de vendas de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior (11% descontada a inflação) e um crescimento de tráfego de 3% no mesmo período apesar das dificuldades econômicas que o país vem enfrentando e, felizmente, ultrapassando. Não é verdade que o São Conrado Fashion Mall perdeu quantidade considerável de lojistas nos últimos meses. O varejo é um complexo vivo, onde alguns comerciantes, por questões próprias, mudam, ao longo do tempo, seus propósitos e planos. É, assim, habitual a substituição de lojas em todos os shoppings, seja no Brasil, seja no exterior. Não é verdade que o São Conrado Fashion Mall tenha perdido a sofisticação; como diz trecho da própria reportagem, “as obras de expansão do 3 andar levaram grifes estrangeiras de primeira linha”. As pesquisas com consumidores do shopping indicam um grau de aprovação de 100% com as orientações comerciais e de marketing sugeridas pela administração e sancionadas pela Associação de Lojistas e com a operação do shopping de uma maneira geral. Lamentamos que tais notícias, que espelham simplesmente a insatisfação de uns poucos, tentem transformar fatos mentirosos em verdades, com conseqüências imprevisíveis de danos à imagem de todas as lojas.

PATRÍCIA VIVÁQUA RIBAS, LIA CARVALHO, RONALDO ORESTES MOURA, DÁRCIO MOLINA e ROBINSON TARDIN LAULETTA - diretores (por email, 29/9), Rio

A reportagem “Crônica de uma crise anunciada no Fashion Mall” deixou de falar sobre o que eu realmente disse sobre a crise do comércio no país, que naturalmente se reflete em todos os shoppings, e também que a possível venda da minha loja do Fashion Mall se deve ao fato de eu ter outra loja no Shopping da Gávea, o que causa uma natural divisão da clientela.

AUGUSTO LIMA - Joalheira Augusto Jóias (29/9), Rio

Como lojista do Fashion Mall, o melhor, mais confortável e mais bem freqüentado shopping do Rio, não entendi a intenção de denegrir a nossa imagem na reportagem publicada ontem (28/9). Faço coro com o André Brett — daqui não quero sair nunca.

DICK REIS - Ótica Lunetterie (por email, 29/9), Rio

NOTA DA REDAÇÃO ( de O GLOBO ): As informações foram obtidas com lojistas do próprio Fashion Mall, que estão identificados na reportagem. O objetivo de um trabalho jornalístico não é prejudicar nem beneficiar ninguém, apenas registrar fatos.

Nota: matéria transcrita na Newsletter da ALOSERJ 10/2003.


O GLOBO

Rio, 5 de outubro de 2003

ABAIXO-ASSINADO DE LOJISTAS DEFENDE SHOPPING

Queixas de alguns insatisfeitos com as vendas criam polêmica, mas os administradores apontam crescimento

As reclamações de alguns lojistas insatisfeitos com a situação das vendas de suas lojas no Fashion Mall criou uma grande polêmica no mais sofisticado shopping da cidade. A maioria dos lojistas discordou abertamente das críticas e se reuniu num abaixo-assinado em defesa do empreendimento, com mais de 80 assinaturas e nomes de grifes como H. Stern, Lenny , Mr. Cat, Richard’s, Armani, Natan, Joe & Leo’s e Mixed, além do restaurante Guimas. Na semana passada, O GLOBO revelou que nos últimos quatro meses algumas lojas, como Alice Tapajós, Company, Kenzo, Catimini e Jacadi, deixaram o shopping descontentes com a queda nas vendas. A administração do Fashion Mall tem outra visão:

— Os bons resultados são comprovados pelos números — diz Márcio Cardoso, diretor Administrativo da In-Mont Shoppings, empresa responsável pela administração do Fashion Mall desde 1994.

Segundo a empresa, o shopping teve aumento real de 11% no faturamento no primeiro semestre de 2003, em relação ao mesmo período do ano passado. O movimento de clientes também cresceu: nos últimos quatro meses foi 8% maior:

— Não há shopping mais chique no Brasil. O shopping não somente agrega valor à imagem da marca como também vende —, diz Roberto Stern, presidente da joalheria H. Stern.

Para Márcio Cardoso, se algum lojista teve maus resultados, isso não pode ser creditado ao shopping. Ele observa que alguns lojistas deixaram o shopping nos últimos meses por razões externas, como a Kenzo, que fechou todas as lojas no país, e a Wine Store, que resolveu passar a vender apenas no atacado. O empresário André Brett, responsável pelas lojas Empório Armani e Ermenegildo Zegna, também defende o shopping de São Conrado.

— Não saio do shopping por nada — garante.

Opinião semelhante tem Frederico Luz, da Richard's, que considera o Fashion Mall o único empreendimento do Rio voltado apenas para consumidores sofisticados. O poder de compra dos clientes que passam pelos corredores do shopping — que estão tendo a iluminação e o teto substituídos — é alto. Há 30 mil clientes freqüentes cadastrados no programa Fashion Prime, que dá benefícios àqueles que gastam mensalmente no shopping mais de R$ 800.

Nota: matéria transcrita na Newsletter da ALOSERJ 10/2003.



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